sábado, 2 de março de 2019

10 razões pelas quais os aparelhos móveis devem ser proibidos para crianças menores de 12 anos

     
Como terapeuta ocupacional pediátrica, convoco pais, professores e governos a proibir o uso de todos os mobiles para crianças com menos de 12 anos.
A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria afirmam que crianças de 0 a 2 anos não devem ter nenhuma exposição à tecnologia, crianças de 3 a 5 anos devem ser limitadas à uma hora de exposição por dia e crianças e adolescentes de 6 a 18 anos devem ser restritas a duas horas por dia (AAP 2001/13, CPS 2010). Crianças e jovens usam de quatro a cinco vezes a quantidade de tecnologia recomendada, provocando consequências graves e, em muitos casos, colocando suas vidas em risco (Fundação Kaiser 2010, Active Healthy Kids Canada 2012). Aparelhos eletrônicos móveis (telefones celulares, tablets, jogos eletrônicos) aumentaram muito o acesso e uso de tecnologia, especialmente por crianças muito pequenas (Common Sense Media, 2013). Como terapeuta ocupacional pediátrica, convoco pais, professores e governos a proibir o uso de todos os mobiles para crianças com menos de 12 anos. Seguem dez razões, todas apoiadas em pesquisas, para justificar essa proibição. Para ter acesso às pesquisas com referências, procure o Zone'in Fact Sheet no site zonein.ca.
1. Crescimento cerebral acelerado
Entre 0 e 2 anos de idade, o cérebro da criança triplica de tamanho, e ele continua em estado de desenvolvimento acelerado até os 21 anos de idade (Christakis 2011). O desenvolvimento cerebral infantil é determinado pelos estímulos do ambiente ou a ausência deles. Já foi comprovado que o estímulo a um cérebro em desenvolvimento causado por superexposição a tecnologias (celulares, internet, iPad, TV) é associado ao déficit de funcionamento executivo e atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impulsividade e diminuição da capacidade de se autorregular, por exemplo, acessos de raiva (Small 2008, Pagini 2010).
2. Atraso no desenvolvimento
O uso de tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar em atraso no desenvolvimento. Hoje uma em cada três crianças ingressa na escola com atraso no desenvolvimento, o que provoca impacto negativo sobre a alfabetização e o aproveitamento escolar (HELP EDI Maps 2013). A movimentação reforça a capacidade de atenção e aprendizado (Ratey 2008). O uso de tecnologia por menores de 12 anos é prejudicial ao desenvolvimento e aprendizado infantis (Rowan 2010).
3. Obesidade epidêmica
Existe uma correlação entre o uso de televisão e videogames e o aumento da obesidade (Tremblay 2005). Crianças às quais se permite que usem um aparelho digital no quarto têm incidência 30% mais alta de obesidade (Feng 2011). Uma em cada quatro crianças canadenses e uma em cada três crianças americanas são obesas (Tremblay 2011). 30% das crianças com obesidade vão desenvolver diabetes, e os obesos correm risco maior de AVC e ataque cardíaco precoce, resultando em grave redução da expectativa de vida (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, 2010). Em grande medida devido à obesidade, as crianças do século 21 talvez formem a primeira geração da qual muitos integrantes não terão vida mais longa que seus pais (Professor Andrew Prentice, BBC News 2002).
4. Privação de sono
60% dos pais não supervisionam o uso que seus filhos fazem de tecnologia, e 75% das crianças são autorizadas a usar tecnologia no quarto de dormir (Fundação Kaiser 2010). 75% das crianças de 9 e 10 anos têm déficit de sono em grau tão alto que suas notas escolares sofrem impacto negativo (Boston College 2012).
5. Doença mental
O uso excessivo de tecnologia é um dos fatores responsáveis pelas incidências crescentes de depressão infantil, ansiedade, transtorno do apego, déficit de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento infantil problemático (Bristol University 2010Mentzoni 2011Shin 2011Liberatore 2011, Robinson 2008). Uma em cada seis crianças canadenses tem uma doença mental diagnosticada, e muitas tomam medicação psicotrópica que apresenta riscos (Waddell 2007).
6. Agressividade
Conteúdos de mídia violentos podem causaragressividade infantil (Anderson, 2007). A mídia de hoje expõe as crianças pequenas cada vez mais violência física e sexual. O game "Grand Theft Auto V" retrata sexo explícito, assassinato, estupros, tortura e mutilação; muitos filmes e programas de TV fazem o mesmo. Os EUA classificaram a violência na mídia como Risco à Saúde Pública, devido a seu impacto causal sobre a agressividade infantil (Huesmann 2007). A mídia informa o uso crescente de restrições físicas e salas de isolamento para crianças que exibem agressividade descontrolada.
7. Demência digital
O conteúdo de mídia que passa em alta velocidade pode contribuir para o déficit de atenção e também para a redução de concentração e memória, devido ao fato de o cérebro "podar" os caminhos neurais até o córtex frontal (Christakis 2004, Small 2008). Crianças que não conseguem prestar atenção não conseguem aprender.





8. Criação de dependência
À medida que os pais se apegam mais e mais à tecnologia, eles se desapegam de seus filhos. Na ausência de apego parental, as crianças podem apegar-se aos aparelhos digitais, e isso pode resultar em dependência (Rowan 2010). Uma em cada 11 crianças e jovens de 8 a 18 anos é viciada em tecnologia (Gentile 2009).
9. Emissão de radiação
Em maio de 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os telefones celulares (e outros aparelhos sem fios) como risco de categoria 2B(possivelmente carcinogênico), devido à emissão de radiação (OMS 2011). Em outubro de 2011, James McNamee, da Health Canada, lançou um aviso cautelar dizendo: "As crianças são mais sensíveis que os adultos a uma série de agentes, porque seus cérebros e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento." (Globe and Mail 2011). Em dezembro de 2013 o Dr. Anthony Miller, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Toronto, recomendou que, com base em pesquisas novas, a exposição a frequências de rádio seja reclassificada como risco de categoria 2A (provavelmente carcinogênico), não 2B (possivelmente carcinogênico). A Academia Americana de Pediatria pediu uma revisão das emissões de radiação de campo eletromagnético de aparelhos de tecnologia, citando três razões relativas ao impacto sobre as crianças (AAP 2013).
10. Insustentável
O modo em que as crianças são criadas e educadas com a tecnologia deixou de ser sustentável (Rowan 2010). As crianças são nosso futuro, mas não há futuro para crianças que fazem uso excessivo de tecnologia. É necessária e urgente uma abordagem de equipe para reduzir o uso de tecnologia pelas crianças.
As Diretrizes de Uso de Tecnologia para crianças e adolescentes, vistas abaixo, foram desenvolvidas por Cris Rowan, terapeuta ocupacional pediátrica e autora de Virtual Child; o Dr. Andrew Doan, neurocientista e autor de Hooked on Games; e a Dra. Hilarie Cash, diretora do Programa reSTART de Recuperação da Dependência da Internet e autora de Video Games and Your Kids, com contribuições da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Pediátrica Canadense, no intuito de assegurar um futuro sustentável para todas as crianças.

Diretrizes de Uso de Tecnologia para Crianças e Adolescentes:


Autor - Cris Rowan - Pediatric occupational therapist, biologist, speaker,

https://www.huffpostbrasil.com/cris-rowan/10-razoes-pelas-quais-os-aparelhos-moveis-devem-ser-proibidos-pa_a_21667426/

 🌸🌷🌸🌷🌸🌷🌸🌷🌸🌷🌸🌷🌸


domingo, 24 de fevereiro de 2019

A importância da Evangelização no processo de formação da criança

           
Na pergunta 383 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec faz a seguinte indagação: “Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância”, e obtém como resposta dos Espíritos, o seguinte: “Encarnando-se com o fim de aperfeiçoara, O Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação”.
            Como adendo, José Herculano Pires insere uma nota na qual revela que os pais e os professores espíritas devem ponderar sobre este item e os que lhe seguem. Segundo ele, o “Espiritismo vem abrir um novo capítulo da psicologia infantil e da pedagogia, mostrando a importância da educação da criança não apenas para a vida, mas para a sua própria evolução espiritual”.
            Diante disto, o Departamento de Evangelização da União das Sociedades Espíritas (USE) – Intermunicipal de Santos, promoverá seu primeiro curso de capacitação de monitores de Evangelização, visando aparelhar as casas adesas de pessoal capaz de atuar junto à infância.
            O educador e espírita Leopoldo Machado, já desencarnado, assinala que a educação da infância é a maior obra do Espiritismo. A Doutrina Espírita representa, hoje, elevada escola de educação do Espírito, a serviço de Jesus, com a grandiosa tarefa da edificação do Reino de Deus na Terra, reino este que se inicia no interior de cada um.
               O que se faz na área da infância e juventude sob a denominação de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil é a difusão do conhecimento espírita e da moral evangélica pregada por Jesus, que foi apontado pelos Espíritos Superiores, que trabalharam na Codificação, como modelo de perfeição para toda a Humanidade.
            Como a preocupação não é somente com a transmissão de conhecimentos, mas sobretudo com a formação moral; e como a formação moral se inspira no Evangelho, pareceu mais apropriada a denominação da Evangelização Espírita dada a esta tarefa, por expressar, na sua abrangência, exatamente o que se realiza em nossos grupamentos de crianças e jovens.
            O ensinamento espírita e a moral evangélica são os elementos com os quais trabalhamos em nossas aulas. Esses conhecimentos são levados aos alunos através de situações práticas da vida, pois a metodologia empregada pretende que o aluno reflita e tire conclusões próprias dos temas estudados, pois só assim se efetiva a aprendizagem real.
            Precisamos entender a Evangelização como sendo a melhor contribuição que pode ser oferecida ao espírito encarnado em seu processo evolutivo. Quem instrui, oferece meios para que a mente alargue a compreensão das coisas e entenda a vida.  Quem educa, cria os valores ético-culturais para uma vivência nobre e ditosa.
            Quem evangeliza, liberta para a Vida feliz. A criança evangelizada torna-se jovem digno, transformando-se em cidadão do amor, com expressiva bagagem de luz para toda a vida, mesmo que transitando em trevas exteriores.
            Bezerra de Menezes nos diz que “a criança que se evangeliza é o adulto que levanta no rumo da felicidade porvindoura”.  Educar, pois, dentro da concepção Espírita não é só oferecer os conhecimentos do Espiritismo como também envolver o educando numa atmosfera de responsabilidade, de respeito à vida, de fé em Deus, de consideração e amor aos semelhantes, de valorização das oportunidades recebidas, de trabalho construtivo e de integração consigo mesmo, com o próximo e com Deus.



domingo, 11 de novembro de 2018

Evangelização Espirita Infantil na luz do AMOR. : Educar para crescer

Evangelização Espirita Infantil na luz do AMOR. : Educar para crescer: Matéria do Correio Fraterno  Por Eliana Haddad Fim de férias, mais um ano letivo se inicia. A diretora da área de evangelização i...

Educar para crescer


Matéria do Correio Fraterno 

Por Eliana Haddad

Fim de férias, mais um ano letivo se inicia. A diretora da área de evangelização infantil do Centro Espírita União, em São Paulo, Roseli Galves Marques de Oliveira, aborda nessa entrevista a importância da espiritualidade para a formação integral do ser. Psicóloga com especialização em psicopedagogia, Roseli atuou por quase 30 anos nesse setor, na AACD-Associação de Assistência à Criança Deficiente.
Como lidar com a questão da criança com dificuldade de aprendizado na casa espírita?

Hoje nos deparamos com um grande número de crianças com distúrbio de aprendizagem, o que precisa ser muito bem estudado, necessitando de uma avaliação diagnóstica detalhada e multidisciplinar. Devemos trabalhar com a formação moral, levar a criança a identificar os valores cristãos. A mensagem de Jesus deve chegar a ela de uma forma simples, seja qual for a dificuldade que apresente. Deve tocar seu coração, fazendo-a sentir a mensagem à luz do espiritismo, com a explicação da imortalidade da alma e da reencarnação. Os mesmos distúrbios que aparecem na sala de aula de uma educação formal vão aparecer na sala de evangelização infantil. Por isso, o educador deve ter um respaldo, buscar um conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. Ideal seria que o coordenador dessa área tivesse formação tanto na área de psicologia como de pedagogia infantil. Cada criança se desenvolve de acordo com as características da sua faixa etária, sendo necessários conteúdos específicos para a compreensão naquela idade, como também forma adequada para apresentá-los. Pedagogia é desenvolver estratégias que possam facilitar essa compreensão.

Qual a principal característica para aqueles que desejam trabalhar na área de educação junto às crianças na casa espírita?

É preciso ter vontade de aprender antes de ensinar. É imprescindível conhecer muito bem as obras básicas do espiritismo, estudar realmente Kardec. É preciso também dar liberdade à criança. Pestalozzi já dizia que deveríamos ter na educação a mão, o coração e a cabeça, para aprender/ transmitir informações. A mão significa a ação, o trabalho, o estar envolvido com a tarefa, não ficar só escutando; a cabeça, usando o raciocínio, ativando o aprendizado pela lógica; e o coração, aliado ao amor. É o conhecimento ligado ao sentimento, à amizade, à solidariedade, ao respeito, ao perdão. Todos esses sentimentos positivos, esses valores humanos têm que ser muito trabalhados.
Como entreter a criança acostumada à tecnologia, à rapidez das informações?

Nosso objetivo deve ser o de despertar o ser moral, no âmbito da espiritualidade da criança. A tecnologia pode auxiliar, é um recurso, mas devemos lembrar que Jesus, há dois mil anos, não tinha recurso tecnológico algum. No entanto, sua mensagem foi transmitida e assimilada por todos os seus apóstolos. Eles não só compreenderam a mensagem de forma significativa, como se apropriaram desse conhecimento e continuaram formando novos seguidores. E eles também tinham suas dificuldades...
Você acredita que as crianças de hoje tenham as mesmas dificuldades do passado?

Isso envolve a questão da maturidade espiritual em qualquer tempo. Quando a criança já é um espírito mais maduro, consciente das leis divinas, um espírito que já passou por um processo de aprendizado com muitas experiências, ela reencarna com maior facilidade para assimilar as verdades morais. No momento em que ela se depara com uma vivência que necessite dessa informação, ela florescerá naturalmente.
Falando em atualidade, qual o maior desafio para as crianças hoje?

O nível de ansiedade está muito grande, o que dificulta e muito a atenção. Elas não têm tempo de espera. A capacidade de lidar com a frustração também é muito pequena. Informação demais estressa a criança. É um excesso de videogame, de TV, de atividades extracurriculares. A criança não tem tempo para ela ser criança.
O que fazer com as crianças que não querem ir à casa espírita?

Os pais devem zelar pelo desenvolvimento integral da criança. Todos os cuidados com o corpo físico, o socorro nas enfermidades, a disciplina nas rotinas diárias: como sono, educação, higiene, devem também estar presentes em relação ao bem-estar moral, espiritual de seus filhos. Quando chega à idade certa de ir à escola, ela pode não querer ir, mas os pais não insistem, porque sabem que é necessário? O cuidado integral do ser envolve ainda a parte psíquica, alcançando-se maior equilíbrio com um lar harmonioso, sem conflitos, sem brigas, sem o uso das crianças em jogos emocionais, de disputa entre o casal, por exemplo. E há o âmbito da espiritualidade também. Os pais são responsáveis por encaminhar os filhos, ensiná-los, por exemplo, o valor da prece, a importância da fé.

Mas muitos pais tentam fazer isso e se sentem frustrados, com os filhos se negando a participar.

A responsabilidade dos pais termina na condição de não se criar um conflito maior, quando a criança se nega a ir à casa espírita. Porque também é necessário se dar o exemplo da paz, do respeito em família. A autoridade também deve ser usada com bom senso. E isso é o que mais precisamos desenvolver. O segredo está sempre no equilíbrio. Quando usamos da radicalidade, do autoritarismo em qualquer setor da vida e principalmente na educação, a resposta é sempre contrária a qualquer espécie de controle ou disciplina. A criança, se sentindo acuada, vai reagir no que chamamos de contra controle, fazendo exatamente o que você não deseja.

Como a casa espírita pode auxiliar nesse conflito? As aulas de evangelização não estão ficando para trás, diante de uma demanda externa de atrativos tão diferente?

O objetivo maior da doutrina espírita é a transformação moral. O espiritismo é obra de educação. A evangelização infantil não pode ser apenas entretenimento. Há de se ter um objetivo maior. É claro que é muito bom quando a casa dispõe de uma opção para esse público, para que os pais assistam tranquilamente a uma palestra que uma criança de cinco anos não iria entender e nem ter o menor interesse. Um grupo infantil na evangelização vai aprender de uma forma condizente a sua faixa etária. Esse plano de trabalho deve ser muito bem elaborado.

Mas esse plano é diferente em cada casa espírita...

Sim. Hoje existe um grande número de apostilas, que ajudam os evangelizadores nesse planejamento de aula. O recurso visual é muito utilizado, ajuda inclusive nos distúrbios da aprendizagem, auditivo, etc... Mas é preciso lembrar sempre que esses recursos são instrumentos. Informações sensoriais auxiliam na sedimentação do conhecimento, da informação que se queira passar para que ela se torne de fato significativa para a criança.

Que respostas você tem percebido da criança em relação a esse trabalho?

Há crianças que trazem realmente um retorno muito positivo. Tivemos crianças que começaram conosco no trabalho de evangelização com cinco anos de idade e continuam até hoje na Casa. Outros seguiram outros rumos, mas o conteúdo que foi transmitido está ali. Recentemente tivemos a oportunidade de ouvir o depoimento de um desses jovens, que inclusive está fora do país. O pai completou 60 anos e ele deu um depoimento em vídeo no dia do seu aniversário. Foi lindíssimo, porque vimos que tudo aquilo que foi trabalhado, quando conversávamos sobre as leis morais, permanece bem vivo no seu coração. E lembro que era uma turma onde havia muito diálogo.
Você acredita que aí esteja o segredo para conquistar esse público?

Talvez essa evasão das crianças e dos jovens em relação às aulas seja porque não se está contextualizando, trazendo os princípios doutrinários para as situações do cotidiano, num debate, numa troca de ideias. Também há uma literatura infantil espírita fabulosa, filmes abordando, por exemplo, a reencarnação. O tema espiritualidade está aí ocupando espaços na mídia. Precisamos aproveitar!



Como explicar para as crianças que o cuidado com os valores morais é tão importante?

É preciso deixar muito claro, primeiro, que não somos perfeitos, mas que estamos a caminho. E esse caminho pode ser mais longo ou mais curto dependendo de nós. A criança não é perfeita e deve entender que seus pais também não o são. Todos temos nossas dificuldades, nossos conflitos. É preciso buscar a resposta de acordo com o que a criança realmente necessita. É preciso abstrair e a criança trabalha muito no concreto. E a espiritualidade é um assunto abstrato.
Outro desafio nas casas espíritas é o conflito gerado entre o dirigente do centro e os evangelizadores, exercendo ali certa censura a novas ideias... O que fazer quando isso ocorre?

Acredito muito no diálogo. É a ferramenta que temos para levar o nosso argumento de acordo com nossas expectativas. É preciso haver integração entre todos os trabalhos. Evitar trabalhos isolados, porque os trabalhadores de uma casa espírita, seja qual for a atividade, devem estar integrados inclusive para sustentar a vibração do ambiente.
E quanto à mediunidade, como proceder?

As crianças muitas vezes podem ver espíritos. Até os sete anos de idade, estão muito ligadas e abertas ao plano espiritual. Isso deve ser trabalhado com muito cuidado. Também na questão dos jovens, é preciso lembrar da inconveniência de encaminhá-los para os trabalhos mediúnicos, porque ainda estão sob efeito de toda uma formação, inclusive física – hormonal, orgânica. Ainda estão se encontrando como seres adultos. O trabalho mediúnico também exige muita disciplina. Eles estão, nesse momento da vida, mais preocupados com outros interesses.
O que fazer quando apresentar esses problemas?

Integrar-se em outras atividades da casa, assistindo a palestras e realizando algum trabalho que não seja sessão mediúnica. Deixar isso para mais tarde. Poderá cuidar da livraria, ajudar na biblioteca. Trabalhar com a mediunidade ficará um pouco mais para frente, quando houver a certeza de que seja necessário.


O pensamento de Pestalozzi

Na concepção de Pestalozzi, a criança é um ser puro, bom em sua essência e possuidor de uma natureza divina que irá se desenvolver em vários estágios, que devem ser cultivados para florescer em sua plenitude a seu tempo. O aprendizado será assim conduzido em grande parte pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento. O que importa não é tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.
Para ele:

 A intuição é fundamento da instrução.
 A linguagem deve estar ligada à intuição.
 A época de ensinar não é a de julgar e criticar.
 O ensino deve começar pelos elementos mais simples, e continuar de acordo com o desenvolvimento da criança.
 É preciso aliar a ação ao saber.
 As relações entre mestre e aluno devem ser fundadas no amor e por ele governadas.
 A individualidade do aluno deve ser sagrada para o educador






Publicado no jornal Correio Fraterno - Edição 473 janeiro/fevereiro 2017





domingo, 2 de setembro de 2018

A importância do plano de aula

A Importância do Plano de Aula na Evangelização Infantil
Planejamento:   
No planejamento de aula, o evangelizador especifica e organiza os procedimentos para concretização da sua aula.
Ao planejar, o evangelizador prevê os objetivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos, habilidades, atitudes) e especifica os itens e subitens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula. É possível também se definir os procedimentos (maneira de realizar alguma atividade) e organizar as atividades de aprendizagem dos evangelizandos, de acordo com a faixa etária, grau de interesse da turma, assuntos, tempo disponível e objetivos propostos, levando em conta os princípios morais que norteiam este trabalho.
Portanto, o planejamento da aula é a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido e a sistematização de todas as atividades que se desenvolve no período de tempo em que o evangelizador e evangelizando interagem numa dinâmica de ensino-aprendizagem.
Ao planejarmos, organizamos antecipadamente a ação evangelizadora, norteando a atuação do evangelizador-evangelizando; controlamos a improvisação; evitamos a repetição rotineira e garantimos a distribuição adequada do trabalho em relação ao tempo disponível.
A partir do momento que nos damos conta que planejar é preciso, partimos para a questão: “que tipo de metodologia utilizar?”
Metodologia
É importante estudar o conteúdo, selecionar o essencial e transformar esse conteúdo em atividades assimiláveis, procurando sempre não dar conceitos prontos, mas buscar o caminho do interesse e da descoberta. Atividades sensibilizadoras, métodos ativos, que levem a criança a uma participação intensa, vivências e atividades artísticas.
Procure partir do interesse imediato do evangelizando ou desperte esse interesse. A criança é curiosa e está aberta às novidades.
Ao despertar o interesse, lance questionamentos e desafios ao intelecto do evangelizando ou dilemas morais a serem resolvidos. Podem ser perguntas sobre o assunto de forma tal que leve o evangelizando a buscar a solução ao problema apresentado.
Permita as colocações dos evangelizandos, o debate e o diálogo onde todos possam expressar suas opiniões e iniciar a construção coletiva e, ao mesmo tempo, individual, não só do conhecimento em estudo, mas a construção do ser, em seu aspecto intelectual e afetivo.
Assim, lançado o desafio ou o problema e abrindo-se ao diálogo, levamos o evangelizando a buscar a solução na Doutrina Espírita, tendo em mente que ele somente poderá avança a partir das estruturas mentais que já possui dentro de si mesmo. Avançar demais não adianta, assim como desafios além das possibilidades do evangelizando tem efeito negativo – tudo deve ser gradual e progressivo.
É importante iniciar a construção do conhecimento com base na Doutrina Espírita, partindo da realidade da criança. Procure não oferecer tudo pronto, mas que esse momento seja de descoberta, onde inteligência, sentimento e vontade interagem de maneira dinâmica, para a construção do ser em seu aspecto integral.
O evangelizador deve estudar o conteúdo e transformá-lo em atividades assimiláveis pelas crianças e não oferecer o conteúdo pronto. O conteúdo da Doutrina deve ser analisado em seus três aspectos inseparáveis: científico, filosófico e religioso. As atividades deverão ser vivenciadas e não apresentadas como aulas teóricas. O evangelizando não aprende ouvindo aulas teóricas, mas vivenciando atividades dinâmicas. A construção do ser depende da vivência integral: sentidos, intelecto e sentimento.
A arte não é apenas forma de expressão, mas atividade criadora, ampliando a capacidade vibratória do ser, sensibilizando e diferenciando a vontade para os canais superiores da vida. O teatro, a música, a dança, as artes plásticas em sua diversidade e a literatura em toda sua amplitude, propiciam atividades criadoras onde a cooperação é uma constante. A arte abre canais que o intelecto, por si só, desconhece, pois age no campo emocional e vibratório do ser. É agente de transformação e construção do ser.
Ninguém assimila conteúdos tão complexos em apenas uma aula teórica, nem se transforma interiormente tão radicalmente, mas num processo educativo bem elaborado e integrado com nossa vida prática. O evangelizador é um pólo de energia emuladora, a irradiar de si mesmo e, ao mesmo tempo, atraindo e estimulando o evangelizando.
De forma gradual e progressiva, o evangelizando vai assimilar o conteúdo, construindo as estruturas mentais correspondentes dentro da sua capacidade de assimilação, tanto no aspecto intelectual, como no aspecto afetivo. Gradualmente, mas num processo contínuo, o evangelizando passa a pensar, sentir e viver dentro dos princípios que a Doutrina nos apresenta, por serem princípios de caráter universal.
O livro “Pelos Caminhos da Evangelização”, de Cecília Rocha, elucida que o ensino da Doutrina Espírita deve ser organizado mediante experiências de aprendizado, cujas características reproduzimos abaixo:
- Dinâmicas Desafiadoras: que despertando o interesse e a curiosidade do evangelizando proporcionem sua participação ativa, levando-o à aplicação de soluções evangélico-doutrinárias para resolver os problemas cotidianos.
- Significativas: que possam ser compreendidas e assimiladas pelo evangelizando, conforme objetivos preestabelecidos, de acordo com o seu nível de interesse.
- Individuais: que estejam ao nível de cada evangelizando, em particular, permitindo o atendimento às diferenças individuais, pois embora o desenvolvimento se processe por leis universais, condicionam-se às circunstâncias cármicas particulares.
- Grupais: que proporcionem ao evangelizando atividades com outros evangelizandos, facilitando o processo de convivência fraterna nos padrões de solidariedade e de tolerância, aproveitando-se o ensejo para estabelecimento de laços afetivos e formação de grupos espontâneos – característica do processo de socialização da criatura na infância e na adolescência.
Etapas do Plano de Aula
O plano de aula deve conter:
- Objetivo
O objetivo fornece uma orientação concreta para o desenvolvimento do tema. É a descrição clara do que pretendemos atingir dentro do assunto. Determinamos o que os evangelizandos devem aprender, concluir e sentir durante e após a aula. É importante que o objetivo seja compatível com o desenvolvimento físico e psicológico do evangelizando.
- Referências Bibliográficas
Citar todas as referências bibliográficas usadas como subsídios para a elaboração e o desenvolvimento da aula.
- Incentivação
É utilizada para intensificar nos evangelizandos a motivação interior necessária à ação de aprender. É o conjunto de recursos e procedimentos envolventes, que vão motivar a criança.
- Desenvolvimento
Desenvolvimento do tema visando os objetivos propostos. Deve-se sempre variar a apresentação das aulas, variando o material didático: fantoches, cartazes, dramatização, etc.
- Atividades
As atividades devem ser a síntese do tema escolhido. São indispensáveis ao processo de aprendizagem. Servem como fixação e compreensão do conteúdo, além de estimular o desejo de aprender. Ao mesmo tempo em que o evangelizando atua trabalhando, o evangelizador faz a avaliação de sua aula.
O evangelizador não deve avaliar se o objetivo de sua aula foi alcançado pelas atitudes imediatas dos evangelizandos. Deve sempre ter em mente que está plantando a semente e que seus frutos deverão vir com o tempo. 



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Os nosso Filhos...


Extratos da palestra da Dra. Filó, pediatra em BH.  20/4/2018
"Rio só existe porque tem margem.
A criança só será um adulto completo se tiver limites.
Criança tem que ser monitorada.
Mãe tem que ser chata.
Filho só pode ver aquilo que é próprio para a idade dele.
Filho não pode ver aquilo que está além da sua capacidade de compreensão.
Tome a frente das regras da sua casa.
Criança não dorme com celular no quarto. Recolha. Vigie.
Criança tem que dormir com tranquilidade.
Quarto não tem que ter televisão. Quarto é para dormir.
Não compare a casa do outro com a sua.
Na sua casa você tem que cuidar da integridade mental dos seus filhos.
Criança não fica trancada no quarto jogando.
Filho tem que 'socializar', tem que ver, estar com pessoas. Corpo a corpo. Olho no olho. 

Criança que é rejeitada por outros tem uma tendência a buscar redes sociais. Cuidado. Isso pode causar dependência.
Precisamos ter a coragem de olhar para a vida dos nossos filhos.
As coisas acontecem debaixo dos nossos olhos.
Criança é esperta, mas temos que ser mais ainda. Pai e mãe têm que estar perto.
Criança não tem que ter senha.
Essa tal de privacidade é só quando eles saem de casa, só quando pagam as próprias contas.
O celular do filho não pode ser igual ao do pai.
Tem que haver hierarquia.
Cada mãe conhece o filho que tem. Mãe, no fundo, sabe o que está acontecendo com o filho. Não ignore suas sensações como mãe.
Elas são verdadeiras.
A mãe não erra o diagnóstico. Confie nos seus sentimentos de mãe.
A missão como pais é muito maior do que podemos imaginar.
E não é uma missão fácil.
Mais do que dar coisas, se dêem a seus filhos.
Questione seus filhos. Pergunte! Vigie! Investigue!
Existem muitos e muitos distúrbios psiquiátricos na infância.
O segredo da prevenção é família e amor.
Criança tem que ser amada.
Filho vai tentar se impor. Mas 'combinados' e regras devem existir.
Tem que haver respeito.
Tem que haver hierarquia.
Filho tem que desejar!
Tem que querer ganhar alguma coisa!
Tem que esperar ansiosamente pelo presente.
As coisas não são descartáveis.
Coloque na vida do seu filho que somos criadores, que vamos criá-los e que temos sonhos para eles.
Que a vida tem que ter sentido, além do dinheiro, do poder e de todas as possibilidades.
Que a vida os desafiará, mas a vida não encerra.
Cuidado!
O que os filhos trazem para o mundo é o que plantamos neles.
Estimule-os a serem verdadeiros. A verdade abre caminhos.
Converse. Incansavelmente.
Temos que nutrir a confiança.
Olhe para os seus filhos e entenda o que eles precisam.



 




sexta-feira, 6 de julho de 2018

Bom exemplo é a melhor forma de educar


EM PALESTRA, FILÓSOFO MARIO SERGIO CORTELLA FALA SOBRE COMO CONSTRUIR UMA CONVIVÊNCIA MAIS ÉTICA DENTRO E FORA DAS ESCOLAS.


Para uma criança viver bem, entre outras coisas, ela precisa de limites. Isso tem tudo a ver com os valores que os pais transmitem na criação. A conduta dos filhos depende dos exemplos que elas recebem dos adultos. Principalmente para os menores, é ineficaz explicar conceitos teóricos, como ética, mas é fundamental praticar valores como convivência, respeito ao próximo, capacidade de partilhar e de falar a verdade.  
Esse foi o tema da palestra do filósofo e educador Mario Sergio Cortella, “Como construir uma convivência mais ética no nosso dia a dia? Reflexões urgentes para pais, docentes e educadores”, baseada em seu novo livro, “Educação, Convivência e Ética”, da Cortez Editora. O evento aconteceu ontem, 16/04, no Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi.
Mesmo que não haja uma clareza tão grande sobre o que é certo e o que é errado, crianças observam e são influenciadas pelas posturas de pais e educadores. Em entrevista concedida a Pais&Filhos, Cortella explica que ética não é uma questão de estabelecer um código sobre o que é adequado e o que não é, mas uma reflexão a respeito do porquê você faz aquilo que faz. Ou seja, é necessário pensar se o que fazemos é bom para nós e para outros ou se é bom para nós e prejudica os outros. “É preciso formar pessoas na vida que entendam que ser decente não traz todas as vantagens que quem não é decente obtém imediatamente, mas que traz muitas outras que persistem no tempo, e que o indecente não conquista”, acrescenta o filósofo.
Para Cortella, os pais desta geração não estão passando para as crianças a noção do esforço e isso é prejudicial para a formação dos filhos: “se uma criança não foi formada aprendendo a valorizar a ideia de esforço, ela vai achar que as coisas acontecem como mágica, que não é preciso correr atrás de nada”.




A importância do bom exemplo

Você provavelmente já ouviu ou até falou a seguinte frase: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Porém, quando se trata de educação, na prática isso não funciona. Não adianta um pai dizer ao filho que ele não deve mentir, porque mentir é feio, e quando o telefone tocar em casa, pedir para dizer que ele não está. A criança pode ouvir que é muito ruim o desperdício, mas se ela vê os pais desperdiçando comida, ou deixando o chuveiro ligado durante muito tempo, ela aprende o contrário pela assimilação do exemplo.
Cortella explica que uma criança pequena não tem ideia do que é justo ou injusto, mas ela imita os modos de conduta dos pais. E, sobre a importância da boa educação, acrescenta: “O mundo que vamos deixar para nossos filhos depende muito dos filhos que vamos deixar para esse mundo”.

Papel da escola
É essencial a parceria da família com a escola, pois a primeira é apoiada pela segunda na educação dos filhos. Muita gente confunde educação com escolarização, mas a escolarização é apenas um pedaço da educação. Por isso, não há uma parte da formação que seja exclusiva dos pais sem o apoio da escola, assim como não há uma obrigação que seja somente da escola.
Cabe a escolas inteligentes formar parcerias com as famílias, e cabe às famílias procurar essa parceria nas escolas. Embora sejam instituições diferentes, a criança é a mesma. Por isso, o importante não é dividir a educação entre elas, mas sim repartir. Os professores também introduzem valores éticos na escola, por meio de exemplos e incentivos, como mostrar que não se deve pegar o que não lhe pertence, ou de não admitir que uma criança pratique o sofrimento de outra.